- Confira também a Segunda Parte.
17. O mundo real
Ela continuava olhando para mim. Nossos joelhos
tocavam-se de leve.
Seus olhos me diziam: “E então?”
Havia algo semelhante à piedade neles. Não gostei
daquilo.
Tinha que esclarecer as coisas logo de uma vez.
– A realidade é que eu não senti nada. Quando eu estava
lá no colégio, há dois anos, sozinho com ela, imaginei uma trama para nossas
vidas. Tal como esses filmes da tarde. Imaginei especialmente a comoção do público. Os suspiros das mulheres. O
sutil gesto de cabeça de aprovação dos homens. E até as críticas. Enfim, eu
idealizei deslumbre. O sucesso. A aprovação dos outros.
Suspirei longamente. Agora, a decepção final.


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